Em entrevista ao blog da Opção Imóveis, o diretor Frank Hideki Miyasaki explica por que a resposta depende menos do tipo de imóvel e mais dos objetivos, da localização e da estratégia de cada investidor
Escolher um imóvel para investir vai muito além de decidir entre uma casa, um apartamento, uma sala comercial ou uma loja. Antes de avaliar o imóvel, é preciso compreender o objetivo de quem está investindo.
Essa é a avaliação de Frank Hideki Miyasaki, diretor da Opção Imóveis e profissional com décadas de experiência no mercado imobiliário de Maringá.
“Não existe um tipo de imóvel que seja sempre melhor. Existe o imóvel mais adequado para o objetivo, o momento e o perfil de cada investidor.”
Segundo Frank, a pergunta “imóvel comercial ou residencial?” não deve ser respondida de forma isolada. É necessário analisar fatores como geração de renda, potencial de valorização, liquidez, localização, demanda e prazo do investimento.
Para Frank, um dos erros mais comuns é começar a procura pelo imóvel antes de definir claramente o que se espera do investimento.
“Algumas pessoas querem renda mensal; outras pensam principalmente em valorização. Há também quem queira preservar patrimônio ou comprar um imóvel que possa ser utilizado pela família ou pela própria empresa no futuro. Cada objetivo conduz a uma escolha diferente”, explica.
Essa definição ajuda a avaliar não somente o preço de aquisição, mas também o público que poderá ocupar o imóvel, a demanda existente na região e as possibilidades de utilização no médio e no longo prazo.
Casas, apartamentos, studios e outros imóveis residenciais atendem a um público bastante amplo. A demanda pode vir de estudantes, jovens profissionais, casais, famílias e pessoas que se mudam de cidade em busca de trabalho ou estudo.
Essa diversidade permite que o investidor escolha entre diferentes estratégias: imóveis compactos, apartamentos familiares, empreendimentos de alto padrão, imóveis prontos, usados ou ainda em construção.
“O residencial costuma ser mais fácil de compreender porque a necessidade de moradia é permanente. Mas isso não significa que qualquer apartamento ou casa seja automaticamente um bom investimento.”
Frank ressalta que a análise deve considerar a localização, a infraestrutura do bairro, a facilidade de acesso, a proximidade de universidades, hospitais, empresas, escolas, comércio e serviços.
A configuração interna do imóvel também precisa estar alinhada ao perfil predominante da região. Um apartamento compacto pode apresentar excelente procura em determinado bairro, enquanto, em outro local, a demanda pode estar concentrada em imóveis maiores para famílias.
“Não adianta comprar apenas porque o imóvel é bonito ou porque o preço parece atrativo. É preciso entender quem vai morar ali e por que essa pessoa escolheria aquele imóvel”, afirma.
Os imóveis comerciais possuem uma dinâmica diferente. Salas, lojas, conjuntos, barracões e outros espaços podem atender empresas, profissionais liberais, prestadores de serviços e diferentes atividades econômicas.
Nesse segmento, a qualidade do imóvel continua importante, mas fatores externos podem exercer uma influência ainda maior.
Fluxo de pessoas, visibilidade, acesso, estacionamento, perfil do entorno e vocação comercial da região ajudam a determinar a atratividade de um ponto.
“No imóvel comercial, não analisamos apenas o espaço. Precisamos analisar o negócio que poderá funcionar naquele endereço.”
De acordo com Frank, uma excelente sala comercial pode ter resultados diferentes dependendo da localização e do tipo de atividade permitida ou predominante na região. Uma loja depende de exposição e movimento; um consultório precisa de acesso e conveniência; já um barracão pode exigir logística, vias adequadas e facilidade para carga e descarga.
Por isso, o investidor deve avaliar quais empresas ou profissionais poderiam ocupar o imóvel e se existe demanda real por aquele perfil de espaço.
Sim, especialmente quando está inserido em uma região consolidada ou em processo consistente de desenvolvimento.
“O imóvel comercial pode apresentar uma relação interessante entre renda e valorização, mas normalmente exige uma análise mais criteriosa sobre a vocação daquele ponto”, observa o diretor.
Também é importante considerar que mudanças econômicas, novos hábitos de consumo, crescimento de determinados setores e transformações urbanas podem afetar diferentes categorias de imóveis comerciais.
Na avaliação de Frank, isso não deve afastar o investidor, mas reforçar a necessidade de estudar o mercado antes de tomar a decisão.
“Investir bem não significa eliminar totalmente o risco. Significa compreender o risco, analisar a oportunidade e tomar uma decisão fundamentada.”
O crescimento dos empreendimentos de uso misto tem aproximado os universos residencial e comercial. Esses projetos podem reunir moradia, trabalho, serviços, gastronomia e conveniência em uma mesma região.
Esse modelo acompanha uma transformação importante das cidades: a busca por mais praticidade e pela possibilidade de resolver parte da rotina sem grandes deslocamentos.
Segundo Frank, projetos desse tipo podem gerar uma dinâmica positiva para os dois segmentos.
“Os moradores criam demanda para os serviços, e os serviços tornam a região mais conveniente para os moradores. Quando o projeto é bem planejado, essa integração pode contribuir para a ocupação e para a valorização do entorno.”
Entretanto, assim como em qualquer investimento, é necessário analisar a qualidade do projeto, a incorporadora, a localização, o planejamento urbano e o desenvolvimento previsto para a região.
Não existe uma resposta única.
O imóvel residencial pode fazer mais sentido para quem procura uma demanda diversificada, possibilidade de uso próprio futuro ou uma alternativa de locação destinada à moradia.
O imóvel comercial pode ser mais adequado para quem busca uma estratégia ligada à atividade econômica, à valorização de um ponto ou à locação para empresas e profissionais.
Também existem situações em que diversificar o patrimônio entre imóveis residenciais e comerciais pode ser uma alternativa coerente.
“O investidor não deve escolher apenas entre comercial ou residencial. Ele deve comparar oportunidades concretas e descobrir qual delas entrega a melhor combinação de segurança, renda e potencial de valorização para seu objetivo.”
Localização, infraestrutura, demanda, possibilidade de ocupação, preço de aquisição, características do imóvel e perspectivas da região devem fazer parte da decisão.
Para Frank, o papel de uma imobiliária experiente não é simplesmente apresentar imóveis disponíveis, mas ajudar o cliente a compreender o mercado e comparar oportunidades.
“O nosso trabalho começa ouvindo o investidor. Quando entendemos o que ele pretende construir com aquele patrimônio, conseguimos direcioná-lo para oportunidades mais coerentes e seguras.”
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